Inhotim

Local

Brumadinho, MG

Ano

2000 – 2004

Arquitetura

Paulo Orsini

Criando Inhotim

Ao longo de quase cinco anos de profunda imersão, o paisagismo deixou de ser suporte, passou a atuar como força estruturante e um dos protagonistas do complexo. Plantas escultóricas vindas de diferentes partes do mundo chegavam continuamente, exigindo precisão absoluta na escolha das posições, dos eixos visuais e dos ângulos de leitura. Cada decisão dialogava com esculturas monumentais e com as primeiras arquiteturas em construção. A arte estava em todos os lugares, no chão, no horizonte, no gesto.

Antes mesmo da inauguração do Inhotim, quando ainda se chamaria CACI, Centro de Arte Contemporânea Inhotim, esse processo já borbulhava intensamente. Havia entre todos os envolvidos a clara percepção de que algo grandioso estava em formação, um território em transformação onde natureza, arte e paisagem se construíam simultaneamente.

Os lagos foram esculpidos ao vivo. A visão de Luiz Carlos Orsini, a força do maquinário e a resposta da própria natureza desenhavam formas orgânicas, irrepetíveis, carregadas de intenção e acaso. Até 2004, aproximadamente 25 hectares foram assinados por Orsini, articulando diversidade botânica, espacialidade e sensorialidade ao longo dos percursos dos visitantes.

Em Inhotim, a natureza transcende o jardim e o jardim transcende os canteiros. Dissolvem-se os limites entre onde um termina e o outro começa. O paisagismo envolve, conecta e conduz galerias e percursos. O jardim se torna ele próprio uma obra de arte, responsável por levar o visitante de uma experiência a outra.

Esse legado nasce de uma prática paisagística comprometida em planejar e construir paisagens que elevam o ativo natural ao patamar de uma experiência estética e sensível, capaz de tocar o espírito, provocar contemplação e permanecer na memória.

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Acervo pessoal

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Jomar Bragança — @jomarbraganca

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Pedro David — @pedrodavid

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